segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Saudades.


E também sinto saudade do que não existiu!O beijo apaixonado que não dei, o abraço caloroso que não senti, a declaração de amor que não ouvi, aquele passeio à tarde de mãos dadas, aquela viagem romântica inesquecível, as brigas, as reconciliações, os apelidos engraçados, os ciúmes bobos, as brincadeiras, os segredos...A saudade do que não existiu dói bastante, talvez até mais que a saudade do que existiu.A saudade do que não existiu é uma projeção do que poderíamos ter vivido, mas não vivemos; por algum vacilo pessoal ou armadilha do destino - não importa, apenas não vivemos, e não viver o que poderia ter sido vivido dói, muito.Em um poema intitulado 'Saudade', Pablo Neruda escreveu: 'Saudade é amar um passado que ainda não passou, /é recusar um presente que nos machuca, /é não ver o futuro que nos convida.', a saudade do que não existiu é isso, amar um passado ainda presente, recusar uma realidade que não nos satisfaz e não enxergar o futuro que bate a nossa porta.        "Também temos saudade do que não existiu e dói bastante..."        



by Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Hino a Ísis.


Porque sou eu a primeira e a última

Eu sou a venerada e a desprezada

Eu sou a prostituta e a santa

Eu sou a esposa e a virgem

Eu sou a mãe e a filha

Eu sou os braços da minha mãe

Eu sou estéril, e os meus filhos são numerosos

Eu sou a bem casada e a solteira

Eu sou a que dá à luz e a que jamais procriou

Eu sou a consolação das dores de parto

Eu sou a esposa e o esposoE foi o meu homem quem me criou

Eu sou a mãe do meu pai

Sou a irmã do meu marido

E ele é meu filho rejeitado

Respeitem-me sempre

Porque eu sou a escandalosa e a magnífica


Hino a Ísis, século III ou IV (?), descoberto em Nag Hammadi

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mestremético.




Durante anos conhecemos pessoas, lugares, modos.Levamos um pouco de tudo que passamos numa bagagem de lembrança,
saudade e sentimento.Construímos quem somos através desses momentos ímpares, dessas formas incomparáveis.E num lugar não tão distante de minha floresta, conheci a outra parte.
Aquela que conseguimos identificar belo brilho no olhar!Dizem que todos os seres têm seus mestres[Não falo de deuses], aquelas pessoas
que nos ensinam, nos fazem batalhar pela vida.E numa vila ali por perto, havia um alguém com aparência de doutor. Barbudo, óculos de
grau acima do normal e debaixo do seu braço um livro.Foi-me um momento rápido, passei voando por ali. Quis voltar, mas minhas asas
não aceitam que eu volte pelo caminho. Esperei ansiosa pelo um outro dia, aquelas asas tinham que
me levar lá novamente, afinal de contas eu estava pronta a conhecer meu outro corpo.
Ah! Eu sabia, elas também! E ele que nem se revirou desde do momento que eu o deixei ali, parado com a sua formosura e seu livro. Aquele livro me despertava certa curiosidade, conseguir ler o que estava escrito naquela
capa velha e empoeirada. - Ensinamentos de um mestre vivente! Ah, quanto curiosidade! Eu não podia
tocar naquele chão, não podia falar com ele e nem com o seu livro. Foram dias observando de longe o que aquele homem velho fazia num lugar tão claro.
O destino, não... Esse talvez nem exista... As minhas asas, essas sim me deixaram surpresas.!Trouxeram-me aquele velho. Ah, quantas prosas trocamos. Estava conhecendo um MESTRE de verdade!
Podia fazer qualquer pergunta, ele sabia. Afinal de contas, ele era um VELHO MESTRE das artes da vida.
Mas, não foi bem como eu imaginei. Ele não me deixava abrir aquele livro que sempre estava por debaixo de seu braço, nem ao menos tocá-lo. Pedi-lhe, então, que me mostrasse a vida, o céu, às estrelas, os rios. Antes mesmo de terminar o meu pedido, ele me puxou pelo braço, a dor era quase insuportável. Eu não entendia por que ele estava me fazendo sofrer. E foram longos minutos de dor, de pressão. Na verdade eu não sabia o que fazer. O mundo havia parado e naquele momento só existia eu, ele e minha dor. Eu estava gostando daquela dor, apesar da intensidade, me sentia viva. Sentia o meu corpo, a minha floresta. Depois de longos minutos, o meu pulso já adormecido ele me soltou. Perguntei o porquê daquilo. Sem nenhum traço de emoção ele me respondeu. -Sentiu o teu corpo, sentiu-se insuportável no teu próprio corpo. Faça disso a caminhada para conhecer o mundo. Sua floresta é negra, não tem luz e nem ao menos flores. Suas asas me trouxeram aqui, mas terei de voltar para a minha
vila. A minha NOVA vila. Vou te deixar. Caminhe, caminhe e caminhe. Procure o seu prazer e nunca se esqueça de que a dor é a melhor maneira de você se conhecer e conhecer o restante do mundo. - Eu fiquei um tanto confusa com aquilo tudo, sabia que aquele brilho no olhar era além do que eu poderia imaginar, ele também sabia disso.
Em seguida, cair num sono. A única coisa de que me lembro é dele sendo levado de volta para sua NOVA vila. Eu sabia que algo de muito extraordinário estava para acontecer. Ele também!

[Inacabado. Ainda falta coisas para serem vividas]
Texto com dedicatória oculta.
Liri Liú,
Vanessa.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Ah,meu amor!


Vi, porém meu ser ficando ali, o silêncio com você parece melodia, o silencio dizia tudo, por mim, por nós e quem o contrário arrisca dizer.



Nathalia, Gêmea.
[Escrito por ela]

Pupilion mion.

Socorrei-me idéias matutinas do meu eu
Insanidade minha, socorrei-me.


Liri Liú, Vanessa.
[Grilada]

Person.


Cedo ao doce
Doce ao cedo
Hábil
Errado
Frustrado
Surdez minha,
Loucura minha,
Vista minha,
Ainda continuo com
Minhas palavras
Mas, diferenciou-me:
Estou pronta!


Liri Liú, Vanessa.
[Putz merda]
Gritar liberdade como minha fantasia.... É isso o que eu quero!